Transformando palavras em imagens e som (Transformando o roteiro em uma obra audiovisual)
- Rafael Belli
- 12 de mai.
- 3 min de leitura
Tomando como ponto de partida o roteiro, precisamos transformar palavras no papel em imagens e som em uma tela. Por isso vamos entender o que extrair do texto e quais são os próximos passos a partir disso. O foco aqui é especificamente na animação 2D com uma pipeline ocidental.
Em um roteiro, identificamos elementos como: locação, personagens, objetos e, obviamente, falas. Para transformar esse conteúdo em obra audiovisual, começamos traduzindo tais elementos para imagens e áudio através de três etapas: Storyboard, Arte e Casting e Gravação de Vozes. Em uma animação, elas tendem a acontecer em paralelo, mas vou explicá-las separadamente.

O Storyboard é o primeiro momento de visualizar como a obra vai aparecer na tela. Desenhos são feitos — como em uma história em quadrinhos — para representar ações, ângulos de câmera e expressões. Aqui, o diretor define o tempo estimado de cada cena e dá um gostinho de como enxerga o produto final.
A Arte é o momento em que definimos a aparência da obra, com ênfase em três grupos: Personagens (secundários ou novos), Props (objetos que interagem com os personagens, como um controle remoto ou uma bola) e Backgrounds (cenários, normalmente estáticos). A equipe trabalha para fazer a arte final que será usada de fato nos episódios.
O Casting de Vozes é o momento de escolher quem dá vida aos personagens. O diretor e a Direção de Voz se reúnem para ouvir e selecionar os atores, e logo em seguida começam as Gravações dos roteiros. Ou seja, as vozes são gravadas antes da animação (na animação ocidental).
Como cada etapa exige bastante tempo, a produção funciona por blocos. Com o storyboard, as vozes e a arte de um episódio já feitos, iniciamos a próxima etapa: o Animatic. Ele é literalmente a junção do Storyboard com as Vozes. Por ser o momento final antes de entrarmos na animação, esta é a última etapa em que conseguimos fazer alterações como tempo de cena, ângulos de câmera, ou ações per si. Quando o Animatic é aprovado, estamos casados com o que está em tela, podendo apenas fazer mudanças sutis em expressões de personagem, ou brincar um pouco com o exagero de certos movimentos.

Até aqui estávamos na Pré-produção. Agora entramos na Produção (que pode demorar mais para realizar, mas não demora quase nada para explicar).
Começando pela boa e velha Animação. Ela inicia com a divisão de cenas: cada corte é analisado por um produtor de linha, que monta pacotes de cenas e os distribui entre os animadores. Eles animam, mandam para revisão e, quando aprovado, seguem para a próxima.
Em paralelo, é gravada a Trilha Sonora — alguns efeitos sonoros, trilhas de acompanhamento e aqueles temas que grudam na cabeça (como por exemplo a Marcha Imperial ou o tema de Jurassic Park; se você ouvir, vai reconhecer).
Com o visual e o áudio semi-prontos, entramos na Pós-produção.
A Edição junta todas as cenas e o áudio em um arquivo, adiciona efeitos visuais e trabalha luz e sombra. Em seguida, o áudio volta ao estúdio para regravar cenas em que é possível melhorar a entonação, adicionar os efeitos sonoros e fazer a mixagem final.
Assim, o que eram apenas palavras em um roteiro se torna uma obra audiovisual pronta para a entrega e posteriormente licenciamento, mas isso é uma conversa para outro dia.


