Como começar? (O primeiro passo de uma história)
- Rafael Muxfeldt Belli
- 26 de mai.
- 3 min de leitura
Se você já teve uma ideia para um livro, filme, curta, uma série ou história de forma genérica e se perguntou "por onde devo começar?", este texto é para você.
Como nós da Belli Studio somos um estúdio de animação, vamos te guiar pelas etapas imaginando o primeiro passo de uma animação em uma pipeline profissional; mas independentemente disso, o processo é muito similar para qualquer projeto de mídia.
Uma ideia é algo genérico, muitas vezes confuso, ou até mesmo algo que vai mudando constantemente ao longo do tempo. Por isso, antes de qualquer roteiro, precisamos começar a construir uma base sólida para a nossa história. E o documento que usamos para fazer isso durante a produção é a Bíblia.

A Bíblia ganhou esse nome por ser o documento que estabelece as regras do universo da série. Ela precisa conter descrições detalhadas dos personagens, as regras específicas daquele universo e também elementos gráficos que situam esses personagens na história.
Entendemos que cada criador tem um jeito diferente de trazer sua história para "fora da cabeça". Veja o exemplo do Swampy e do Dan, criadores de Phineas e Ferb, que começaram desenhando um personagem com cabeça em formato de triângulo em um guardanapo de papel e depois construíram o universo inteiro em um storyboard gravado e dublado por eles mesmos. Tem gente que prefere contar a história inteira em formato de livro ou quadrinhos e só então escrever o que orbita ao redor, para poder enxergar o universo com ele já funcionando.
Seja qual for o seu jeito, o que importa é ter um documento organizado, tanto para você não se perder no processo, quanto para apresentar a história a um produtor ou investidor (caso isso seja um objetivo).
Como podemos efetivamente iniciar esse desenvolvimento?
Aqui traremos algumas perguntas essenciais que ajudam a guiar a etapa inicial de desenvolvimento, mas faremos outro texto que fala melhor sobre a estrutura de uma bíblia no nosso blog (dependendo de quando você está lendo isso, ele pode já ter sido publicado), por isso pulamos a parte de formatação em si.
Primeiro, entenda que organizar e aperfeiçoar uma história leva tempo e esforço. Não tem atalho. A partir disso, tente reduzir sua ideia a uma ou duas frases. Esse exercício parece simples, mas é poderoso: ele te obriga a identificar qual é o ponto central da história, o que realmente importa nela.
Com esse núcleo definido, desenvolva seus personagens com descrições um pouco mais detalhadas: quem são, o que querem, o que os impede de conseguir. Em seguida, com o ponto central em mãos e os personagens mais bem trabalhados, você desenvolve a história de verdade: qual é o começo, o meio e o fim? Qual é a lição que o protagonista vai precisar aprender? Quais obstáculos ele vai enfrentar ao longo do caminho? Como personagens e conflitos se relacionam? E essa história fica melhor embalada como série ou como longa-metragem?
Respondidas essas perguntas, é hora de mergulhar no detalhamento do universo.

Nesse momento, pode ser muito útil escrever um argumento (um texto em prosa, geralmente de uma a algumas páginas, que narra a história de forma resumida, com começo, meio e fim, sem se preocupar com a estrutura do roteiro). Às vezes, montar uma escaleta também ajuda: trata-se de uma lista ordenada das cenas ou eventos principais da história, funcionando como um esqueleto do roteiro antes de ele existir de fato.
Assim, com personagens principais definidos, arcos já rascunhados, o tema central da história compreendido e uma noção clara dos principais obstáculos para o protagonista, fica muito mais fácil escrever – e, mais importante, escrever de forma coesa, que prenda a audiência do início ao fim.


